França mede o custo humano da onda de calor e funerárias já operam no limite
A França ainda sente os efeitos da onda de calor que castigou o país nos últimos dias e que agora se desloca para outras áreas da Europa. O balanço preliminar das autoridades de saúde aponta cerca de 1.000 mortes acima da média esperada no período, um retrato duro de uma emergência climática que vai além dos termômetros.
O impacto foi especialmente visível nos serviços de saúde. Hospitais registraram aumento de atendimentos por desidratação, exaustão térmica e agravamento de quadros clínicos em pessoas idosas, o grupo mais atingido. Em várias regiões, equipes de emergência trabalharam sob regime de crise, com pressão crescente sobre leitos, ambulâncias e pronto-socorros.
A situação também chegou ao setor funerário. Em Paris e no Centre-Val de Loire, funerárias relataram operação em ritmo muito acima do normal, com limitações para receber e conservar corpos. Em alguns casos, famílias precisaram recorrer a unidades mais distantes para conseguir realizar os procedimentos de despedida, o que aumentou ainda mais a tensão num momento já delicado.
Embora a temperatura comece a recuar em parte do território francês, o alerta permanece. As autoridades afirmam que os efeitos sobre a mortalidade e sobre a rede hospitalar podem continuar aparecendo nos próximos dias, especialmente nas regiões do leste, ainda sob forte pressão. A onda de calor deixa claro que seus danos não terminam quando o pico passa: eles permanecem no sistema de saúde, nas famílias e na rotina das cidades.