França aperta o cerco à moda ultrarrápida e mira Shein e Temu
O Senado da França aprovou uma nova lei para conter o avanço da chamada moda ultrarrápida, um modelo de negócio que se apoia em coleções incessantes, preços agressivos e consumo descartável. Na prática, o texto mira especialmente gigantes do comércio online como Shein, Temu e AliExpress, que ampliaram sua presença no mercado europeu com ofertas baratas e produção em escala acelerada.
A medida foi construída ao longo de mais de dois anos de debate entre as duas casas do Parlamento francês e reflete a crescente preocupação com os impactos ambientais e sociais desse setor. A lógica por trás da legislação é simples: desestimular a avalanche de produtos de baixo custo que entra no mercado com enorme rapidez e pouca durabilidade, empurrando o descarte e ampliando a pressão sobre cadeias produtivas já altamente intensivas.
Pelo texto aprovado, empresas enquadradas como ultrarrápidas poderão ser multadas por peça vendida. A penalidade começa neste ano em valores entre 0,25 e 6 euros por item e deve subir gradualmente até alcançar 10 euros por produto em 2030. É um sinal claro de que o governo francês quer usar o bolso como ferramenta de regulação, tornando menos vantajoso o modelo que depende de volume extremo e margens apertadas.
Mais do que uma disputa comercial, a decisão da França entra no debate sobre o custo real do consumo barato. Ao impor limites a esse tipo de operação, o país tenta enviar uma mensagem à indústria da moda e ao varejo digital: crescimento sem responsabilidade ambiental e sem transparência nas cadeias de produção tende a encontrar resistência cada vez maior na Europa.